A História da Tia Alzira

Aqui está bem contada a história dos primeiros tempos da familia Basilio, puxada da memória de Alzira, João Basilio, Alice Maria e Lúcia.
Gilberto SMelo
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A História da Tia Alzira

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TEXTO TIA ALZIRA

Nota: Este texto está transcrito na compilação de todas as histórias da família em viewtopic.php?f=5&t=576

Nossa casa
Nossa casa em Neves era da seguinte forma: Cozinha, um quarto médio e um quarto grande, que servia de dispensa também. Depois papai fez uma sala de tijolos que deu-nos mais conforto. O terreiro da sala era grande e cercado de bananeiras bem altas. Estas bananeiras serviram para colocar mesas fixas para a refeição dos presos.E era debaixo delas, bem antes dos presos ocuparem é que eu brincava de casinha com uma colega que tinha o mesmo nome meu. Esta menina era escurinha, bem alta e magrinha, mas nós combinávamos muito. Na lateral, havia uma grande árvore de Amoreci que enfeitava a casa na qual brincávamos também. A cozinha não era muito pequena e era de chão. Tinha uma pequena escada que descia para o terreiro e depois o caminho da bica.

Nós tínhamos uma nascente que formava um poço com a tal bica, onde se lavavam roupas, vasilhas e onde mamãe lavava as dobradinhas que seriam vendidas no dia seguinte, nas redondezas.

Mamãe sempre foi comunicativa e cheia de amizades. Eu era a mais mimada, pois era a caçula. Ela me prometia passear em casa das amigas quando eu não queria beber chá. E sempre cumpria sua promessa.

Quando cresci um pouco já via a casa da Lica pouco distante da nossa. Era uma casa bem feita de tijolos com cozinha, sala, quarto e despensa. No fundo era só terra de arrozal. Também o da nossa casa onde se plantava arroz e inhame.

Ali enquanto as pessoas mais velhas conversavam, os jovens e crianças brincavam de roda. Esta roda era grande e era de rapazes e moças também. E cantavam...
Entre todas as músicas eu me lembro de algumas:

"Você gosta de mim ô Maria
Eu também de você ô Maria
Vou pedir a seu pai ô Maria
Para casar com você

Se ele disser que sim ô Maria
Tratarei dos papéis ô Maria
Se ele disser que não ô Maria
Morrerei de paixão" etc...

As outras eram:
“Noite alta céu risonho
Ultima estrofe
O nosso amor traduzia
Ébrio
Santa Terezinha: Neste mundo eu choro a dor, etc.

Às vezes ao voltar da Igreja passávamos por um grupinho cantando estas músicas no meio da rua acompanhada de violão.

"Nesta rua mora um bosque que se chama solidão..."

Até hoje quando escuto esta música, lembro-me da minha infância. Eu gostava muito de brincar de casinha e de armazém e de horta. Passei uma boa parte da infância apreciando as músicas que meu irmão e seus colegas tocavam.

Também tinham as músicas românticas que os nossos amigos guardas da penitenciária cantavam e tocavam violão. Alguns tinham deixado suas famílias aqui em Belo Horizonte e iam cantar para se distrair. Outros podiam ser namorados das minhas irmãs que eram bem bonitas. E as músicas eram mais ou menos estas:

"Noite alta céu risonho - patativa ... "
Última estrofe: "Última inspiração - a pequenina cruz do teu rosário..."

Minha mãe trabalhava muito e eu não lembro de faltar nada. Colhia de tudo, a terra era boa. Por esta época apareceu também um cabo da polícia que gostava muito da Ana, minha irmã. Ele se chamava Cabo Pinto, mas no normal era chamado de "Pinto". Era simpático e muito bom mas fomos saber que ele era casado.

Minha mãe era religiosa e muito devota de Nossa Senhora e passou para mim esta devoção. Colocou-me para coroar Nossa Senhora desde quatro anos. Eu a agradeço por isto e peço a Deus por ela.

Papai era agregado de um fazendeiro de nome Chiquinho dos Pilões, Pilões era o nome da fazenda. Ele era muito bom para nós e a gente vivia tranqüilo naquele rancho de capim, com saúde e muita fartura. Papai trabalhou também na construção da Penitenciária no início, depois o Estado precisou do terreno para agricultura.

A casa da Lica ficava um pouco mais abaixo da nossa. Já foi mais bem construída pelo meu cunhado Manoel. Ele era pedreiro e fez a casa caprichada, com sala, quarto, cozinha e dispensa. Era toda feita de tijolos e tinha no fundo uma ótima terra de arroz. Quando fui crescendo já lembro deles criando um nenenzinho, ela se chamava Adalvize. Depois que a Lica mudou para São Paulo já levou um menino mais ou menos de 1 ano e pouco e lá ele faleceu. A Lica sofreu com a perda dos 5 primeiros filhos, inclusive os gêmeos. Nesses tempos Dindinha casou com Antônio e moraram também nesta mesma casa, até virem para B.H.

O convite do João para B.H.
Tudo estava resolvido, ele ficaria em casa de uns amigos para trabalhar. Mas depois que ele estava dentro da condução, mamãe começou a chorar e o tirou lá de dentro e levou para casa. Ela tinha adoração por ele. A jardineira era mais baixa que uma rural e cheia de janelas e muitos lugares. Por fora era revestida de madeira.

Quando o João foi convidado, nós já estávamos morando no arraial. Não sei se alugamos ou ganhamos uma casa, bem em frente ao salão vicentino. Esta casa era boa, com 4 cômodos, bem alta. Fomos para esta casa, porque o Estado precisou do terreno onde nós morávamos, para dar ocupações para os presos que iam fazer plantações de árvores frutíferas. Aí, já não tinha mais a bica, a água era de cisterna e mamãe não pôde mais atender sua freguesia. O mais fácil seria lavar roupas nas casas daquelas famílias mais conceituadas. E eu ia com ela para esfregar as peças pequenas, para depois voltar e almoçar, e ir para a aula.

No meu primeiro ano tinha nove anos, minha professora era casada e nova, ainda com filhos pequenos. Ela era protestante, mas era ótima e ensinava a gente até como receber uma visita.

Mas nesta mudança para o arraial, eu não lembro da mamãe reclamar, pois agora não mais podia fazer polvilho, sabão, farinha, nem plantar nada. Ela deve ter ficado deprimida. Viemos em 1940 para Belo Horizonte.

A vinda nossa para Belo Horizonte
Papai não queria mudar, porque tinha sessenta e um anos e não tinha profissão. Mas resolveu mudar assim mesmo em 1940. Fomos morar do outro lado da cidade Ozanã, perto do meu cunhado que trabalhava na olaria. Eu fui estudar na escola de lá, e tinha aulas de catecismo dadas pelas irmãs que eu adorava. Lá eu fiz o segundo ano e já tinha onze anos.

Moramos num bonserá de parede meia com um pessoal legal, eram morenos, mas muito corretos. E nas tardes de domingo, ele, o rapaz, tocava violão e sua mãe chamava-se D. Faustina. O rapaz que tocava era o Tininho, simpático e bonzinho, ainda lembro o seu verso, que eu gostava muito:

Vai, vai, vai cumprir o seu fado, o mulher
Vai, vai que eu espero
Um resultado qualquer
Não terei arrependimento
Se tu com outro for feliz
Mas se você passar tormentos
Não foi pelo que lhe fiz

Mas mudamos para Brasilina, porque ficava mais perto para o João, só esperamos eu passar para o 3º ano. Ele trabalhava para um empreiteiro de nome Lindolfo que morava na Rua Macuco. Lá nós moramos em duas casas, uma perto da rua Silveira e outra na Genoveva de Souza, perto da Silviano Brandão, mas só tinha um córrego e um brejo muito sujo.

Papai trabalhava todos os dias, fazendo biscates de vários tipos. Ele estava furando uma fossa e quando minha mãe foi levar almoço, ele falou que a terra estava muito dura, resolveu colocar água dentro da fossa, enquanto almoçava. Depois entrou e começou a furar. Mas às 4 horas, chegou em casa com muita dor de cabeça. Um derrame violento o levou em 72 horas. Ficamos muito desolados. Ele faleceu no dia 10 de julho de 1942.

Nesta época, mamãe foi trabalhar na lavanderia do Hospital São Francisco. A Maria já trabalhava de enfermeira lá também. Eu já estudava no Flávio dos Santos no terceiro ano, com doze anos. Eu adorava o grupo, minha professora chamava-se D. Nilde Fernandes e era muito boa. Nesta época a Lica estava esperando a Lúcia e resolveu voltar para Neves. Então nós fomos para sua casa na Colônia Afonso Pena, hoje Coração de Jesus.

A casa que moramos na Rua Genoveva de Souza era de um senhor chamado Narciso, mas quem morava nos fundos, era um filho de nome Canuto, que gostava muito de tocar instrumento de sopro e a música era bonita, seu verso:

Meu amor, porque pensas ainda em mim.
Não choremos a vida passada
Porque todo romance tem fim
O que sinto não posso dizer-te
Porque minha voz na garganta morreu.

Eu gostava muito das tardes de domingo.

A vida na Colônia Afonso Pena
A nossa família passou para cinco pessoas, eu, mamãe, o João, Maria, Ana. A Maria passara para o São Lucas e trabalhava interna, só ia em casa às quartas-feiras. O João foi para Pará de Minas, lugar longe demais.

Depois de um ano e um mês, perdemos a nossa irmã. Ficamos só em quatro pessoas, a sorte é que Dindinha Lica morava na casa de cima, bem perto de nós. A minha irmã faleceu com vinte e seis anos em 1943, dia 11 de Agosto. Mas mamãe não ficou totalmente sozinha. O João voltou para casa e era um ídolo para ela. Ele já era arrimo de família desde o falecimento do meu pai. Ela só ficava sozinha durante o dia, não lembro dela reclamar nada. Era uma santa mesmo.

A Lúcia era novinha e morava em Neves. Lembro-me de ir lá para ser sua madrinha de representação. Sua madrinha de batismo, era a Julieta, uma moça bonita que cuidava das festas de igreja e das coroações. Acho que seu padrinho chamava Messias e era amigo da família Cearense, rapaz bom e muito educado. Ela morreu quando foi ajudar um menino tirar o papagaio da rede elétrica, sendo que a família de Lúcia já morava aqui, ela podia ter os seus onze anos e foi até Neves visitar sua madrinha pela última vez.

Eu estudei no grupo João Pessoa e lá tirei o meu diploma com treze anos. Em seguida, fui trabalhar também. Mamãe ficou sem a companhia para buscar lenha pelas manhãs. Mas o João voltou de Pará de Minas e agora ele tinha outra profissão. Ele era armador (trabalho com ferragem) e a vida continuava. Nós tínhamos um vizinho do outro lado da Praça Bariri que tocava clarineta o domingo todo. Este era do grupo de tocadores do João e eu fui crescendo e aproveitando as festas com o meu irmão.

Na Colônia Afonso Pena, nós moramos em muitas casas. Todas eu gostava. Mas só que a nossa casa estava sempre mais vazia, porque a Maria casou também. Então, era eu, mamãe, o João. Lá a nossa Paróquia era Santo Antônio, na Contorno, mas fizeram uma capela em uma casa, onde o padre Agnaldo celebrava missa aos domingos e a missa em latim e era dialogada. Saudoso padre Agnaldo, que tanto bem nos fez.

Na Colônia tinha o Nonô que enfeitava nossas tardes de domingo, com seu instrumento de sopro, e morava do outro lado da Praça Bariri, que não sei se já tem outro nome. Graças a Deus, nunca vi briga em nossa casa, sempre tive uns vizinhos que gostavam de música e intercalavam a minha vida, eu era feliz e alegre, e isto me ajudou a formar minha estrutura. Hoje, consola-me muito o som dos discos e dos cd’s. Na verdade da televisão eu não gosto muito.

Eu já era da Pia União das Filhas de Maria e nas missas, festas, coroações, a gente ajudava muito. E eram muito animadas. As meninas e eu ensaiávamos para coroar. Lúcia, Sônia e outras cantavam muito bem, porque as irmãs de Lúcia eram bem pequenas ainda. Estas festas eram feitas do lado de fora da capela, para mim era muito alegre e emocionante.

Também nesta época, fui catequista, e o nosso grupo de catequistas, era muito bom. Por exemplo, Naily, Maristela, Aidê e outras. Eu tinha um aluno muito engraçadinho, que se chamava Tarcísio, era inteligente e legal, e era irmãozinho de Aidê, esta que se casou com o Astero. Por este motivo, sempre dizia que quando tivesse um filho chamaria Tarcísio. Mas a primeira foi a Maria Inez. Minha sogra, sugeriu o nome de Auxiliadora, mas eu já tinha escolhido Maria Inez, por causa de Santa Inez que é padroeira das filhas de Maria.

Lembro de algumas poucas coisas do tempo das sobrinhas e especialmente de Lúcia, que neste tempo era maiorzinha. Com nossa mudança para o Parque Jardim (hoje, Vera Cruz), a Lica também resolveu a mudar da Vila tão querida. Ela e nós sentimos muitas saudades de lá, pois já tinha algum tempo que moramos em lugar tão bom. Então o Manoel construiu uma casa bem boazinha no Taquaril.

Lúcia estava no 4º ano primário e era muito longe e deserta a estrada para ela. Combinamos que ela sairia de casa com o pai, mais ou menos 05:30 ou 06:00 horas da manhã, porque ele pegava serviço às 07:00 horas na obra da Pompéia. Ela saía com o pai, passava pela nossa casa na rua Leopoldo Gomes, esperava a hora certa de ir para a aula. Acho que era na Abadia. Que sacrifício ela fez, e como será que ficava aquele coraçãozinho de sua mãe, sabendo que ela teria que voltar sozinha? – Só Deus sabe.

Ela era super inteligente, muito clara e corada com aqueles cabelos loiros e grandes, nunca se arrumava sem colocar fita no cabelo. Mas nossa preocupação era enorme, porque esta estrada do Taquaril, era muito deserta e ela não tinha nem uma colega. Esta estrada que agora deve ser linha de ônibus tinha cerca de arame dos dois lados e o resto era só mato. Eu sempre alertava para não dar papo para ninguém, e ir bem depressa, porque sua mãe não podia encontrar com ela, porque não tinha quem tomasse conta da Dalva, Cleuza e Conceição que eram pequenas. Mas graças a Deus, nunca aconteceu nada. Ela chegava em casa muito vermelha de tanto andar no sol.

Esta casa, não sei se foi negociada, e eles mudaram para mais perto, um lugar que chamava Volta da Ferradura. Aí, tudo foi melhor. Porque neste tempo, as pessoas se mudavam para onde arranjavam serviço. As conduções não eram fáceis como hoje. Depois disso, eles mudaram para perto de nós, na Rua Leopoldo Gomes. Foi quando chegou a Dorinha, que eu e Geraldo batizamos. Aí, a gente já era noivo, e daí eles foram para o Santa Lúcia e as meninas já eram moças.

Vou falar da satisfação da Lica, quando o padre Agnaldo, mandou construir casas boas, em forma de conjuntos habitacionais, e estas casas foram vendidas mobiliadas, confortáveis e com preço favorável.

Tive a oportunidade de ver minha irmã dizer várias vezes, que sentia um prazer enorme quando via as filhas saírem uniformizadas para o trabalho, mas falava, pena que não as verei muito. Falava-me sempre que comprava acessórios para casa ou alguma coisa bonita, pois a casa ficou bonita e aconchegante.

Devemos muitas obrigações às irmãs do Mosteiro, porque elas deram muito apoio a estas meninas, ensinando trabalhos manuais e ensinando tudo de bom que elas todas tem e até conservam. Que Deus na sua infinita bondade possa recompensá-las aqui ou na outra vida.

Alguma coisa sobre nossa casa.
Esqueci-me de dizer sobre uma casinha que ganhamos para morar lá no Onça, hoje Ribeiro de Abreu. Nessas alturas o João já era pedreiro e até mestre de obras. Ele pegou uma casa chique na beira da rodovia para construir. E o dono que se chamava Senhor Juquinha, ofereceu-nos casa para morar em seu terreno. Nesta época eu devia ter meus dezesseis ou dezessete anos, éramos só três em casa. Vou contar como era esta casinha, que eu tanto gostava. Acho que tudo para mim era completo, porque eu estava com minha mãe e meu irmão. Isto foi antes da mudança para a Colônia Afonso Pena.

Era uma casa de quatro cômodos bem feitinha, mas tinha um terreiro mais ou menos de quatro metros de largura, um barranco bem alto e depois era mata fechada. Mas eu não me preocupava com nada. Trabalhava uns tempos, quando cansava ficava em casa com mamãe. A casa era gostosa, nós tínhamos poucos móveis e era arrumadinha, fogão de lenha e abaixo do terreiro da cozinha uma água boa de uma bica. O João podia ir almoçar em casa, porque não era muito longe, podia ser uns seis quarteirões e da estrada via-se esta casinha encostada na mata.

Só que quando ele ia na casa da namorada, que era uma morena bonita, que chamava-se Benedita, eu e mamãe íamos com ele e o esperávamos na casa de Dindinha, que morava num lugar mais povoado. Quando ele saía de lá, iam os três para a tal casa e que nós gostávamos muito e de dia não fazia medo.

Voltemos um pouco atrás para contar da nossa ida para o Vera Cruz. O João já era casado e nós sempre moramos juntos. Mamãe também tinha adoração por ele. E eu ajudava também nas despesas, quando arranjava um emprego melhorzinho. Foi nesta época mais ou menos que morávamos na Rua Conde Linhares. Eu tinha um namorado, filho de italiano, que tinha o apelido de Lulu, se chamava Luiz Zanone. Era claro de olhos azuis, mas não dava muito certo o namoro, e eu não gostava muito dele, mesmo pela distância que eu morava. Ele era muito bobo, mas era loiro de olhos azuis. Parecia que era de família mais ou menos bem rica. O pai era italiano. Mas D. Pequetita, mãe da ex-namorada de Geraldo, mudou-se para o Padre Eustáquio.

A ida para o Vera Cruz foi por meio de inscrições para casa popular. A casa era boa, com um quarto grande, sala grande, cozinha, banheiro, alpendre e área de serviço. Eu continuei como catequista na Capela de Santa Luzia (hoje Vila Paraíso), Santa Efigênia, já trabalhava no laboratório e frequentei a Pia União lá também na igrejinha da Pompéia. Despedi da Pia União na hora do meu casamento. Todos disseram que foi muito bonito, inclusive minha sogra que era uma mãe para mim, achou lindo o casamento. Fizemos uma grande festa que foi até 03:00 horas da manhã, e quem tocava era Senhor Aristides, pai de Maria do Juca, que ao terminar, levou-nos de caminhão até a nossa casa, perto da Rua Pará de Minas, onde passa hoje a BR.

Minha vida sempre foi intercalada pela música, em várias fases desde criança e agora é sempre a boa música que me consola. Hoje também tenho o prazer de sentir que nada me falta, depois de tanta luta, peço a Deus que não deixe faltar nada para todos os meus familiares.

Um belo domingo, que não tinha nada para fazer, eu, o João e Alice, resolvemos visitar esta família que foi morar na rua Bonaparte. Mas esta menina já tinha terminado o namoro com Geraldo, mas ainda gostava dele e a família era amiga. Ela já era noiva de um rapaz que se chamava Manoel e tinha apelido de Manoel lobisomen. Tudo bem, depois da visita na rua Bonaparte, eles resolveram passar em casa do Pedro Zeca, seus amigos e conterrâneos. Neste dia, Geraldo foi até a nossa casa conversando comigo e eu dei o fora no loiro de olhos azuis para namorar um moreno de olhos verdes, bonito e delicado e de uma educação fora de série. Assim continuamos o nosso romance até quarenta e seis anos de casados. Deu-me filhos maravilhosos, muitas alegrias e felicidades.

Mas ele não me deixou só, porque primeiro Deus e a Virgem e depois meus filhos, genros, noras, netos, sobrinhos, familiares nossos, que todos estes são preciosidades para mim. Eu o agradeço por tudo, peço perdoar-me alguma falta, e peço a Deus que ele possa ser feliz eternamente na companhia do nosso Mauro e todos os nossos entes queridos que lá estão.

Agradeço a Deus por todos estes anos de felicidades.

Meus pais
Mamãe falava que a noite tinha que descansar na rede, para depois dormir, pois trabalhava muito. Meu pai era alto, bem encorpado, meio careca e era claro e muito calado, só conversava o mais necessário. Andava descalço ou com chinelos feitos por ele, aproveitava pedaços de pneu. Ainda me lembro dos seus chinelos. Tirou fotografia só uma vez, por ocasião de eleição. Gostava de uma pinguinha, mas era muito bom para nós, e a gente o respeitava muito. Meu Deus obrigada por este bom pai.

Como eram meus cunhados
Manoel era trabalhador, bem moreno e gostava muito de cantar as músicas do nordeste, eram sempre músicas com letras tristonhas. Gostava muito de dançar e ter tudo direitinho para a família.

Antônio me considerava como afilhada e a distração dele era à pesca e à caça. Era trabalhador apesar de não ter bastante saúde. Ele era protestante e muito fervoroso.

José Bonifácio era carteiro e muito bom também. Era bem moreno e muito amigo e simpático.

Também hoje, a nossa casa está vazia, mas tenho meus filhos maravilhosos que cuidam bem de mim. Além disso, tenho genros, noras e netos de primeira qualidade. Não me sinto sozinha, nem desamparada. Agradeço a Deus pelo bom esposo que ele me deu, e por meus filhos, minhas filhas, meus genros, noras e netos que são pessoas maravilhosas.

Agradeço as pessoas de família que sempre lembram dos mais velhos, e gostam de proporcionar estes encontros. Peço a Deus que a nossa família continue muito unida e seja abençoada.

Agradecemos a Deus por ter nos dado este pessoal tão bom. Quero lembrar também destes novos casais que vão se formando, que Deus os abençoe.

Agradeço Alice de coração tudo de bom que ela fez e sempre faz por nós. Ela também é considerada nossa irmã.
Obrigada por tudo.

Casamento dos meus pais e como se conheceram
Me falaram que o meu pai era nascido em Itapecerica. Andava vendendo miudezas a cavalo, ele e um companheiro que se chamava Beijo, que mais tarde foi convidado para ser padrinho de um dos filhos. O filho deste casal ficou sendo Bispo Dom Alexandre, no qual mamãe falava sempre com entusiasmo.

Nestas andanças de papai, ele conheceu minha mãe nos branquinhos e a pediu em casamento, mas avisou-a que sofria do coração e era mais velho quatorze anos. Mamãe não ligou e tinha adoração por ele. Daí nasceram meus irmãos e eu nasci depois que morávamos no terreno dos Pilões, onde papai era agregado. O dono se chamava Senhor Chiquinho dos Pilões.

A vida no rancho
Eu devia ter os meus seis anos mais ou menos. Desta idade é que trago as primeiras lembranças. A vida no rancho era boa e muito farta, graças ao trabalho pesado da mamãe e do papai. O rancho era coberto de capim, com cozinha, quarto do casal, e um quarto bem comprido que servia de despensa e quarto das moças e do João também.

Pelo lado de fora, na lateral deste quarto, havia uma grande árvore de Amurici. Uma fruta bem pequena, mas gostosa, tipo gabiroba, e era na sua sombra e nos seus galhos, que eu gostava de brincar. Saindo do terreiro descendo a uns 200 metros, estava a mina com uma bica d’água, onde mãe passava horas preparando dobradinha para vender e outras coisas mais.

Quando surgiu algum dinheiro, meus pais construíram uma sala de tijolos e coberta de telhas. Nesta época me lembro que o João foi dormir na sala. Em volta do terreiro da sala existiam muitas bananeiras grandes e que davam sombra, onde eu e minha colega que tinha o mesmo nome, só que era maior e bem escurinha, passávamos horas e horas brincando de casinha.

Meus brinquedos preferidos: casinha e armazém.
Eu era uma criança muito feliz e descontraída. Só sentia muito nervosa no tempo das queimadas, porque tinha medo de pegar fogo na casa. Chegava a me sentir mal e ter dor de barriga, quando via meus pais jogando água no telhado de capim.

Lembro-me que minha mãe pôs nas minhas mãos, o maior tesouro aos quatro anos. Foi a devoção a Nossa Senhora das Neves. Era com prazer que ela me arrumava para coroar a Virgem. A minha felicidade era tão grande que não sei explicar. Agradeço a ela de todo meu coração por isto. Quando hoje, tantas mães não valorizam mais esta devoção. Obrigada, querida mãe, porque a Senhora deu-me o que há de mais valor no mundo. Certamente, já deverá ter recebido a sua coroa de glória como recompensa.

Eu venho Ó Maria
Vos oferecer
Humilde coroa
Queira receber

Era só o que sabia cantar.

Estas nossas bananeiras, mais tarde, serviram para os presos formarem mesas nas suas sombras e descansar e tomar suas refeições.
Mas nesta sala nova, é que se reuniam os amigos da família. Sempre dentro do maior respeito. Levavam violões e cantavam as mais lindas canções acompanhadas pelo cavaquinho do João. Eram normalmente os namorados das minhas irmãs ou guardas da penitenciária, que iam daqui e não tinham outras pessoas amigas lá, nem família.

Sentia muita alegria e andava de bem com a vida. Éramos todos muito felizes, embora tendo só as coisas de primeira necessidade. Uma vida simples e gostosa. No aconchego familiar, a coisa é de maior valor.

As principais canções que cantavam:

Acorda Patativa
Eu sempre fui feliz
Fascinação
Pequenina Cruz
Última Estrofe
Noite Alta. Céu Risonho
Além de outras melodias bonitinhas e alegres. Eu era pequena, mas já delirava com o violão.

Os presos também sempre se comportaram como amigos nossos e muitos respeitosamente. Davam sempre alguma lembrancinha e pediam favores.

Por este tempo, ganhei a primeira boneca, a não ser as de pano. Era uma boneca de celulóide e vestida de penas coloridas. Fiquei feliz demais. Mais ou menos nesta época, foi o casamento de Dindinha com Antônio. A Lica já tinha mudado para São Paulo novamente com o Manoel e Dindinha foi morar em sua casa, perto do rancho. Era casa de tijolos, coberta de telhas, sala, quarto, cozinha e dispensa. Para os fundos, tinha terra de arrozal, era brejo, onde Antônio estaria sempre com a espingarda para caçar passarinhos. Ali, eles ganharam o Tatá e Cici antes de vir para Belô, e eu os carregava no colo.

Mudança para o Arraial
Quando plantaram todo o terreno, nós fomos informados que íamos para o arraial. Mamãe nunca reclamou, mas eu suponho que ela deve ter sentido muita tristeza, pois ali, já não tinha condições para todo trabalho.
Era uma casa de quatro cômodos, água de cisterna e no meio dos vizinhos. Eu já estava com nove anos. O jeito mais fácil foi lavar roupa para aquelas famílias mais bem de vida. Eu ia com ela para ajudar até a hora de voltar para almoçar e ir para a aula. Minha professora era D. Alice, protestante, mas ótima professora. Aí, também ganhei uma afilhada de nome Geralda.

Quando mudamos para Belo Horizonte, eu estava com dez anos. Fomos morar no bonserá da Olaria, onde meu cunhado trabalhava. Que lugar gostoso. Ali, eu ganhei a segunda afilhada que era Marília Diva, e freqüentava o catecismo da cidade Ozanã e o grupo também, segundo ano. Eu admirava as aulas de catequese que eram dadas ou por irmãos ou um soldado que colaborava. Que pena, hoje ninguém liga para catecismo.

Lá morava uma família no bonserá, que a dona da casa era D. Faustina, e tinha dois rapazes e uma moça muito alegre (Lourdes). Um rapaz de nome Tininho também tocava violão todas as tardes de domingos e feriados e eu ficava da nossa casa, curtindo o violão. Não via o dia passar. O irmão dele chamava-se Carioca. Ele cantava um sambinha:

Vai, vai, vai cumprir o seu fado, o mulher
Vai, vai que eu espero um resultado qualquer
Não terei arrependimento se tu com outro for feliz
Mas se você passar tormento não foi pelo que lhe fiz.

Embora sofrendo horrores
Queres viver no apogeu
Cheia de admiradores
Pois o prazer é todo meu.

Enquanto moramos na Brasilina, o João entrou para a Congregação Mariana, a convite de um amigo e nas procissões, quando ele se uniformizava com a (opa) e ajudava a organizar a procissão, minha mãe ficava feliz e emocionada demais.

Viemos para Belo Horizonte em 1940, em 1942 mudamos para Colônia Afonso Pena (hoje Sagrada Família). Em 1941 eu fazia o terceiro ano de grupo no Flávio dos Santos (Vila Concórdia). Minha mãe trabalhava no H.S.F. e a Maria também, antes de ir para o S. Lucas. Depois da morte de meu pai, fomos para Vila Afonso Pena (antiga Colônia Afonso Pena).

Depois de um ano que meu pai morreu, nós morávamos na Colônia Afonso Pena, e eu estava no quarto ano. Minha irmã ficou muito doente, internou na S. Casa, mesmo antes de tirar o luto, e sempre piorava. Ela dizia quero ir para casa, porque Dindinha estava morando perto e ela era apaixonada com os sobrinhos. (Lá deve estar um céu aberto), dizia. Dizia quero também tirar o luto. Mas o céu aberto que a esperava era o céu de verdade. E descansou na noite do dia 11 de Agosto, de 1942. Sofremos demais. Noite que Neli nascia e Lúcia estava para chegar, e eu receberia o meu diploma de grupo naqueles dias.

Com a morte de minha irmã, ficamos só eu , o João e minha mãe. Mamãe sofreu demais com este acontecimento. Uma vez por semana, a Maria nos visitava, mas o tempo e a fé em Deus foi curando a ferida, e ela que era forte, superou mais esta dificuldade. Neste tempo, a Maria trabalhava no S. Lucas e só folgava dia de quarta-feira.

Sempre fui ajudando minha mãe da melhor maneira possível, mas desta vez não estava mais no grupo, precisei trabalhar fora. Mais sozinha, minha mãezinha ficou. Não me lembro de vê-la reclamar nada. Era mesmo uma santa. Na Colônia, moramos em mais três lugares, até que surgiram inscrições para casas populares no Parque Jardim. O João se inscreveu e neste tempo já era casado.

Eu tinha começado a namorar Geraldo quando mudamos para a casa novinha do Parque Jardim, hoje Parque Vera Cruz. Alice já morava conosco e a casa era mais alegre com toda bondade dela. O que agradeço muito a ela, a Deus, ter uma cunhada tão boa.

Mudança para o Parque Jardim
Moramos também na rua Conde Linhares e justo nesta época a Maria casou-se e o João também, mas ele nunca nos deixou sozinhas. Ficou conhecendo Alice e casou, trouxe-a para morar conosco. Nasceu Silvinho o primeiro filho e a vida ia passando bem boazinha, mas com pobreza. Pouco depois de casado, o João foi trabalhar na Bahia, pessimamente empregado, e eu trabalhava na Balas Esporte, rua Guarani. Por lá o João largou sua saúde, pois trabalhava dentro do rio e a noite torcia a roupa para vestir no dia seguinte, e Alice ficou conosco, sempre muito boa e aceitando tudo com humildade e muito amiga.

Escrevíamos várias cartas para o João, e ele sempre dizia que não estava bom. Veio-me a idéia de pedir para ele voltar de vez, falei na carta que eu ia ajudar com meu pequeno ordenado. Ele voltou com problemas de saúde que depois ficariam mais sérios.

Tivemos a feliz notícia das casas populares do Parque Jardim. Imediatamente ele fez a inscrição e recebemos a casa com dois quartos, sala, cozinha, banheiro, área de tanque e alpendre. Eu já tinha começado a namorar o meu príncipe encantado. Fomos felizes e nesta casa eu me casei.

Mamãe era feliz, apesar da situação precária e ficava sempre comigo, até que adoeceu. Ainda tive a felicidade de olhá-la cinco anos. Morreu comigo na cabeceira de sua cama rezando. É santa no céu.

Nesta separação de mamãe, eu tinha cinco filhos, Lelena com três anos, Dinho com um ano, Tarcísio, Zizi e Marcos. Tudo corria bem, todos com muita saúde e a casa cheia de amigos e parentes, inclusive, Lúcia, Rosinha, Eni e Neli. Geraldo resolveu deixar o emprego e trabalhar por conta própria. Transcorreu mais ou menos com muito serviço para ele e para mim, pois eu o ajudava a costurar plástico, cuidava da comida dos empregados, o café, etc. Faliu e fomos passar trabalhos novamente, mas agora tínhamos que vender tudo e ele empregar-se de novo. Fomos para Santa Inês, ninguém gostava de lá. Mas tudo é passageiro e fácil de tolerar, quando se tem amor e paz na família, segurança, diálogo e respeito.

O trabalho pesado e que consideramos o máximo e sem explicação, nem consolo, é doença e morte na família. Nada consola, nada está bom, nada alegra. Mas com a proteção de Deus e Nossa Senhora e o tempo, a gente consegue sobreviver. Com tanta misericórdia do Pai e da Mãe do céu, a gente vai caminhando sem ficar doida e consegue carregar a cruz que nos é designada. São os desígnios de Deus, são os seus mistérios que não podem ser mudados, nem entendidos.

Eu e meu pai
Meu pai era de pouca conversa, mas muito bom e carinhoso. Todas às vezes que íamos às compras, não sei se o dinheiro não dava ou ele ficava sem paciência de comprar doces, é que eu mais gostava. Então quando chegava em casa, ele dizia para minha mãe: - Dá para ela um pouco de açúcar Maria.
Que simplicidade de vida, mas eu ficava feliz do mesmo jeito. Hoje existe mais dinheiro, mas são tantas exigências, que acho que não daria conta de criar filhos nesta época. E graças a Deus, todos os pais de nossa família ter este poder aquisitivo.
Papai era um homem honrado e respeitado por todos, tinha o hábito de tomar um golinho quando voltava do trabalho, que era muito pesado. Deitava cedo e não reclamava de nada. Não tinha medo nem do orvalho dos trilhos, nem do calor, era corajoso e forte. Tinha adoração pela minha mãe, que os amigos diziam que ela se parecera com Santa Terezinha quando mais nova.

Eu não me lembro de ouvir dos dois, nem grosserias, nem palavrão. Minha infância foi muito boa e sendo caçula era muito bajulada por todos. Um dia na hora de deitar, ele confundiu soda cáustica com açúcar, devia estar meio sonolento, jogou um punhado de farinha de mandioca na boca e outro punhado de soda cáustica. A farinha protegeu um pouco, mas os dentes ficaram pretos nas raízes e caíram todos.

Quando viemos para B.H., já não tinha serviço de roça e ele estava com sessenta e um anos. O seu serviço era cortar varinha para secar e servir de lenha, ou pegar algum biscate. Então pegou uma fossa para furar, lá para o alto, que agora deve ser Sagrada Família. Nossa rua era Genoveva, começava na beirada do córrego que hoje é Silviano Brandão, Genoveva de Souza com rua Macuco.

Fui com minha mãe levar o seu almoço, aí, ele já estava com sessenta e três anos. Enquanto almoçava disse que a terra estava muito dura e que ia colocar água para amaciar. Ao voltar para continuar o trabalho, começou a sentir forte dor de cabeça e chegou aflito para deitar, não banhou nem os pés, conforme era o costume. Deitou rápido e ficou falando enrolado. Chamamos um médico da rua Jacuí, que ele sempre trabalhava para ele. Era derrame fortíssimo. No dia seguinte, não falava, nem mexia, só olhava. Nesta época, Tatá tinha uns cinco anos e pedia benção várias vezes na beirada da cama, ele só olhava. Isto foi no segundo dia. No terceiro dia, entrou em coma e faleceu. Eu com doze anos assisti tudo que aconteceu. O João tomou conta de tudo com bondade e carinho.

Lá se foi o meu pai tão bom, para morar na casa de Deus, em outra dimensão. Mas ele deixou raízes profundas, bem cuidadas e fortalecidas pela fé. E hoje, eu agradeço a ele e a Deus pela família maravilhosa que temos. Todos os nossos filhos são equilibrados e bem estruturados, pessoas que acreditam nas dádivas do Nosso Pai do céu e Nossa Mãe Maria Santíssima.

Para Lúcia e Gilberto, que cultivam esses momentos e lembranças.
Nossos abraços e beijos.

De Tia, Vó Alzira Maria dos Santos
Belo Horizonte, 02/06/1999

jurandir magalhães

Re: A História da Tia Alzira

Mensagem por jurandir magalhães »

Bôa tarde. Dona Alzira.
LI a história da Senhora e fiquei muito emocionado.E curioso.è uma história e tanto.Morei quando criança na vila Afonso Pena,Na Rua Conde Linhares 1081.Na contra esquina da praça Bariri.De 1940 a 1950,quando meu pai vendeu a casa,para um Senhor:João filpe.E mudamos.Gostaria de saber se a Senhora se lembra de nossa familia,que morava neste endereço,e em que ponto da Conde Linhares a Senhora morava.Tenho tantas bôas lembranças do bairro,que é impossivel esqueçer.Alembro da implantação dos bondes.Com final na praça.Os paus de sêboEtc.O calçamento da rua Conde Linhares,e mais.Que Deus a abençôe,[email protected]

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